Corpos diluídos
nos copos servidos de vinho,
Olhares trocados lascivos
que se perpetuam na efemeridade um momento transversal, único.
A luz vermelha translucida as aureas consumidas que se enleam numa única teia
que os prende, que os cola, que abafa os racionais sentidos e eleva os gemidos
perdidos pela madrugada assolapada, acometida de fervorosa actividade..
O toque ígneo prescruta cantos escondidos há demasiado tempo
e ganha garras que tudo sentem e que se fendem nas entranhas quentes.
Deslizam num mar de fogo dos lencóis rubros
incandescentes, vulcânicos, assumindo a cabeça perdida
navegam sem destino com sede de mais e mais..
um mais ser, um mais querer, um mais conhecer..
um mais um, que poderá ser, que poderá dar,
quando a força do desejo usurpa a razão...
e tudo o mais se esfuma em coloridas baforadas.
Em lábios de vinho e copos de sangue
demoníacos vampiros rasgam a pele outrora protegida pela intelecta protecção
soltam os mais recatados vícios inundados de prazer,
e desfazem-se em contorcidos momentos de indelével deleite.
Os corpos desapegam-se e murcham moribundos até à nova noite quente os assolar
e a branda razão ser apagada em mais um copo de vinho.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
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