segunda-feira, 15 de junho de 2009

vinho

Corpos diluídos

nos copos servidos de vinho,

Olhares trocados lascivos

que se perpetuam na efemeridade um momento transversal, único.

A luz vermelha translucida as aureas consumidas que se enleam numa única teia

que os prende, que os cola, que abafa os racionais sentidos e eleva os gemidos

perdidos pela madrugada assolapada, acometida de fervorosa actividade..

O toque ígneo prescruta cantos escondidos há demasiado tempo

e ganha garras que tudo sentem e que se fendem nas entranhas quentes.

Deslizam num mar de fogo dos lencóis rubros

incandescentes, vulcânicos, assumindo a cabeça perdida

navegam sem destino com sede de mais e mais..

um mais ser, um mais querer, um mais conhecer..

um mais um, que poderá ser, que poderá dar,

quando a força do desejo usurpa a razão...

e tudo o mais se esfuma em coloridas baforadas.

Em lábios de vinho e copos de sangue

demoníacos vampiros rasgam a pele outrora protegida pela intelecta protecção

soltam os mais recatados vícios inundados de prazer,

e desfazem-se em contorcidos momentos de indelével deleite.

Os corpos desapegam-se e murcham moribundos até à nova noite quente os assolar

e a branda razão ser apagada em mais um copo de vinho.

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